Obsessão

CRÍTICA

Por: Kelvis Sousa

8/4/20262 min read

Lançado em 14 de Maio de 2026, Obsessão chega aos cinemas brasileiros causando um grande alvoroço por trazer um horror que discute ontologicamente um relacionamento abusivo, assunto esse que é amplamente discutido pelo senso comum, mas agora explorado por uma mídia capaz de popularizar o tema sem perder substância.

Na trama, vamos acompanhar Bear (Michael Johnston) amigo tímido de Nikki (Inde Navarrette) que esconde um amor antigo por ela mas que sente a necessidade de finalmente se declarar, com a ajuda de seu amigo Ian (Cooper Tomlinson) buscam a melhor abordagem para não assustá-la e conquistá-la ao mesmo tempo. Não suportando o medo do fracasso, Bear decide fazer um pedido para um graveto de vodu fazendo com que Nikki o ame mais do que qualquer outra pessoa no mundo.

Essencialmente o filme trará como discussão o revés de um amor idealizado, que é intrinsecamente paradoxal no sentido de cobrar de um ser finito um dever infinito – amar para sempre, ou amar até a morte. Como aponta Vladimir Jankélévitch em seu livro “O Paradoxo da Moral”: “Como um ser finito, limitado no tempo e em seus poderes pode assumir um dever infinito?”, pergunta que ele responde “Os recursos do amante não são limitados? Pode-se morrer de amor, morrer de amar… Quem ama infinitamente encontra a morte em seu caminho.”. Algo que, ao longo do filme, veremos que atinge também aqueles ao nosso redor.

Bear, após ter seu desejo realizado, demonstra que no final nunca foi um desejo pelo ser de Nikki, era apenas um desejo de posse; onde mesmo após a rejeição em momentos de consciência após o feitiço, ele reluta, ignora o desejo da “amada” e segue usando a versão que ele mesmo criou. E o diretor consegue usar esse estereótipo do “bom moço” para mostrar que o mal não habita na superfície.

Como resultado temos um filme com um ótimo tom que escala da comédia para o terror usando um tema do cotidiano que muitas vezes fingimos não ver, a graça está no absurdo que pessoas simples podem fazer e na sua escalada. Em como uma pessoa aparentemente boa pode usar outra pessoa para projetar seus desejos mais miseráveis. Como diria Chico César: “Deus me projeta de mim/ E da maldade de gente boa/ Da bondade da pessoa ruim/ Deus me governe e guarde, me ilumine e zele assim”.

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"Aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por quem não podia ouvir a música."

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