Pânico 7 e o conflito arte e mercadoria
CRÍTICA
Kelvis Sousa
3/17/20262 min read


Envolvido por inúmeras polêmicas de bastidores, Pânico 7 chega aos cinemas com o estranho objetivo de revitalizar uma série de filmes que aparentemente já tinha sido revitalizada e que foi destruída em meio a questões politicas envolvendo o posicionamento pró Palestina no conflito contra Israel da atriz Melissa Barrera, que interpretava Sam Carpenter, sendo só uma das várias baixas dessa continuação. Jenna Ortega também não volta como Tara Carpenter alegando não haver motivos para participar de um projeto sem as pessoas que ela amava. O diretor, Christopher Landon, originalmente escalado para a função saiu por já não haver mais o filme que ele havia sido incumbido de dirigir. Agora com o estúdio precisando de um filme a ser produzido; Kevin Williamson, roteirista original de Pânico, foi designado para dirigir o novo longa-metragem com o retorno da atriz Neve Campbell, revivendo seu papel como rainha do horror Sidney Evans.
O sétimo filme da franquia se inicia com uma sequência de um casal que aluga uma estadia na casa onde aconteceu o assassinato em massa do primeiro filme. Com detalhes onde cada corpo foi assassinado, pôsteres de Facada por toda a casa e até um animatrônico do Ghostface; essa cena carrega uma mensagem interessante sobre a espetacularização de crimes reais e a falta de empatia em decorrência disso. Porém o comentário não se sustenta no decorrer do filme. Após o Ghostface queimar a antiga casa, com o casal dentro, seremos apresentados a filha mais velha de Sidney, Tatum Evans, interpretada por Isabel May. Com um carisma infinitamente menor que sua mãe, as duas tentarão dividir o protagonismo nesse filme contra o Ghostface que, logo de início, já se revela como sendo Stu, Matthew Lillard, amigo de Billy no primeiro filme.
Pânico sempre foi um filme com um enredo simples que buscava brincar com aquilo que há de mais comum no gênero, não levando as conveniências do subgênero slasher a sério e nem a si mesmo. Entretanto, como esse filme é um produto por excelência corporativo não pode ter autocrítica, não pode rir de si mesmo; e sendo assim a metalinguagem se faz quase que inexistente. É possível afirmar que esse filme definitivamente é o pior da saga e deixou tudo o que outros tinham de melhor para trás, a metalinguagem e o comentário sínico a cerca da contemporaneidade. Sobrando apenas uma obra castrada que apela para nostalgia.